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Menina de 12 anos denuncia Brasil e mais quatro países na ONU por desrespeitar direitos da criança

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Brasileira de 12 anos denuncia Brasil e mais quatro países na ONU por desrespeitar os direitos da criança

As mudanças climáticas ameaçam diretamente o futuro de crianças e adolescentes

Catalina Lorenzo tem 12 anos e denunciou o Brasil na ONU na última terça-feira (24). (Foto: Earthjustice)

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, um grupo de 16 crianças e adolescentes de diferentes nacionalidades denunciaram o Brasil e outros quatro países por suas políticas ambientais. Entre o grupo está a ativista Greta Thunberg, de 16 anos, e a brasileira Catarina Lorenzo, de 12 anos.

A denúncia foi apresentada ao Comitê dos Direitos das Crianças das Nações Unidas. O grupo afirma que a falta de ações para impedir o aquecimento global faz com que Brasil, Alemanha, França, Argentina e Turquia descumpram a Convenção dos Direitos da Criança, assinada há 30 anos. Eles exigem que os países protejam as crianças dos impactos das mudanças climáticas.

A brasileira que faz parte do grupo, Catarina, mora em Salvador e se mostrou particularmente preocupada com as temperaturas extremas e a preservação dos oceanos. Em seu discurso na sede da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), ela falou sobre como as mudanças climáticas estão afetando a sua vida.

“Em Salvador, o governo joga esgoto no rio, que vai para o oceano. E não podemos nadar ou surfar, porque senão ficaremos doentes. Estou falando isso porque é a coisa certa a dizer, essa é a verdade. É a nossa vida que está sendo prejudicada”, disse Catarina.

A luta pelo meio ambiente tem sido protagonizada, nos últimos tempos, por crianças e adolescentes, que reivindicam o seu direito a um futuro. E essa demanda foi repetida pela brasileira: “Se os adultos não quiserem nos ajudar, vamos agir sozinhos se for necessário, porque não vamos permitir que tirem nosso futuro de nós. Eles tiveram direito a ter seu futuro, por que não temos direito de ter o nosso?”

Os cinco países denunciados são os signatários do Acordo de Paris – que estabelece a redução da emissão de gases do efeito estufa – que estão mais longe de alcançar as metas acordadas. “Os líderes mundiais não cumpriram suas promessas. Eles prometeram proteger nossos direitos e não fizeram isso”, disse Greta Thunberg ao protocolar a denúncia.

A adolescente sueca Greta Thumberg é uma das principais vozes a cobrar resultados para a crise ambiental e é uma das indicadas ao prêmio Nobel da Paz este ano.

O grupo de 16 jovens são de diversas nacionalidades e têm entre 8 e 17 anos. (Foto: Earthjustice)

O protagonismo infantil

Além dos mecanismos legais que garantem os direitos políticos e sociais das crianças e adolescentes, diversas pesquisas demonstram os benefícios da participação deles em tomadas de decisão. Quando eles são incluídos, diferentes perspectivas podem ser avaliadas, principalmente em questões que os afetam diretamente.

Apesar disso, muitas vezes as opiniões desses grupos não são levadas em consideração em ambientes de poder, mesmo em decisões que dizem respeito ao futuro deles. Mas com a crise das mudanças climáticas, as crianças querem ser ouvidas.

Para Flávio Debique, Gerente Nacional de Programas e Incidência da Plan International Brasil, o que estamos vendo neste momento “é um protagonismo autêntico, cabe a nós adultos ouvir suas vozes e tomar ações concretas para fazer frente aos grandes desafios do nosso tempo. As crianças, e principalmente as meninas, estão dando uma lição à humanidade. Com coragem, determinação e paixão estão alertando a necessidade urgente de cuidar do nosso planeta”.

A Plan International Brasil acredita no protagonismo das crianças e adolescentes e na diferença que eles podem fazer. Projetos como o Escola de Liderança para Meninas buscam construir exatamente esse protagonismo e garantir um futuro mais justo e igualitário.

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