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Considerada uma das jovens empreendedoras de mais destaque no Brasil pela revista Forbes, Karine é uma inspiração para meninas que querem trilhar o mesmo caminho

Talvez você a conheça como a empresária que, ao participar do programa Shark Tank Brasil, recebeu propostas de quatro dos cinco investidores “tubarões”. Você também pode tê-la visto na capa da edição brasileira da revista Forbes como uma das empreendedoras mais brilhantes abaixo de 30 anos no país. Ou ainda como finalista do Prêmio Mulheres que Transformam, organizado pela XP Investimentos, na categoria Empreendedora do Ano. As conquistas de Karine Oliveira, de 27 anos, são o resultado de seu trabalho com a Wakanda Educação Empreendedora, empresa que fundou em 2018 e que já ajudou centenas de empreendedores de todo o Brasil com seus cursos que adaptam a linguagem do empreendedorismo para torná-la acessível a todos.

Karine sempre esteve envolvida com a questão da economia solidária por influência de sua mãe, Kátia Santos, figura importante no movimento de economia solidária em Salvador. Mas só aos 23 anos ela entrou em contato com o mundo do empreendedorismo. E foi por meio de um projeto da Plan International Brasil, o Pontes Para o Futuro, que oferecia treinamento técnico e capacitação para jovens criarem pequenos negócios. “Foi lá o primeiro curso em que entendi o que era o empreendedorismo”, diz Karine. Foi também deste projeto que saiu o primeiro empreendimento de Karine: a Oxente, uma empresa de slow fashion criada em parceria com outros jovens da Plan.

No Pontes Para o Futuro, Karine ouviu pela primeira vez alguns dos termos utilizados por empreendedores e percebeu que muitos eram em inglês, o que poderia torná-los inacessíveis a uma parte da população. “Por que a gente não consegue abaianar essas palavras?” Foi então que ela começou a pensar em termos que poderiam fazer mais sentido para o contexto regional.

O “elevator pitch”, por exemplo, virou o “pitch de buzú”, que é uma apresentação rápida de um produto ou serviço, prática que vendedores que ganham a vida nos ônibus conhecem bem. O “brainstorm”, etapa importante da concepção de um novo negócio, virou a “chuva de palpites”. E o “payback”, cálculo de quanto tempo um investimento se pagará, virou o “2V”, que é o dinheiro que vai e volta.

Karine começou a contemplar a ideia de levar esse conteúdo empreendedor para pessoas que já empreendiam por necessidade, mas não tinham acesso a informações sobre inovação e negócios. Durante a faculdade de Serviço Social, ela concebeu e escreveu o projeto da Wakanda, uma empresa de educação empreendedora com cursos para públicos diversos. A ideia era iniciar a captação de recursos para colocar o negócio em prática. Mas, antes mesmo de receber o primeiro investimento, a Wakanda já lançou seu primeiro produto: três imersões de 8 horas para auxiliar empreendedores por necessidade. Mesmo sem estrutura e capital, a empresa conseguiu mobilizar 52 mulheres para a primeira aula. Ao todo, 12 mulheres concluíram o curso, das quais seis fazem parte da Wakanda até hoje.

No final de 2018, a Wakanda venceu um edital e recebeu o primeiro investimento que permitiu a expansão dos negócios. Atualmente, a empresa oferece diferentes tipos de curso e já impactou centenas de pequenos empreendedores. “A gente é um negócio de impacto social, que tem esse caráter social de deixar uma marca positiva na sociedade, mas que é um produto pago”, conta Karine. “Os pequenos empreendedores compram as imersões da Wakanda por um valor social de R$20 a R$60. Já as empresas grandes pagam um valor maior, de R$50 mil por três turmas. A empresa grande paga para que a gente forneça esse curso de valor social para a sociedade.”

No fim de 2020, Karine participou da edição brasileira do Shark Tank e saiu de lá com uma nova sócia. A empresária carioca Camila Farani ofereceu R$ 200 mil por 15% da Wakanda, além de se comprometer em investir nos projetos de destaque das empreendedoras atendidas pela empresa. Para Karine, o mais importante da experiência foi validar a Wakanda e mostrar para o Brasil todo que existe outro jeito de falar de negócios, usando linguagem informal e acessível.

Ser apontada como uma das jovens empreendedoras de maior destaque no país pela revista Forbes, em seguida, foi mais uma validação. “Para mim, isso foi o máximo porque algumas pessoas no meio do empreendedorismo ainda ficavam muito inseguras de entender esse novo jeito de falar sobre empreendedorismo. Sair na capa da Forbes foi atestar que esse jeito não só é importante, como necessário.”

Para meninas interessadas em seguir seus passos, Karine observa que muitas mulheres e meninas já estão empreendendo, porém sem se reconhecerem como empreendedoras. “As mulheres, e especialmente as mulheres negras, sempre empreenderam por necessidade. Mas a linguagem do empreendedorismo afasta as pessoas e cristaliza a figura de um homem branco de terno e gravata.” Para Karine, é importante entender que empreendedora ou empreendedor é simplesmente a pessoa que tem uma ideia criativa e que coloca essa ideia em prática.