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O BRASIL COMO UM FIO DE ESPERANÇA PARA AS MENINAS DO HAITI

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O BRASIL COMO UM FIO DE ESPERANÇA PARA AS MENINAS DO HAITI

Recentemente o Haiti passou por mais uma tragédia humanitária causada pela passagem do furacão Matthew. O fenômeno natural somado ao cenário da lenta recuperação sócio econômica que o país está sofrendo desde o terremoto de 2010 dificultou ainda mais a vida de milhares habitantes daquele país – principalmente, as meninas.

Neste difícil cenário, a migração dos habitantes do Haiti para países continentais como EUA, Venezuela, México e Brasil torna-se uma decisão quase que lógica a ser tomada pelos haitianos, em busca de melhores condições de vida e realizações de sonhos.

Porém, segundo dados do último trimestre divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2016 a taxa de desemprego atinge 11,3% dos brasileiros, de modo que o povo haitiano não vê mais o Brasil como preferência ao tomar a decisão de imigrar. Contudo, mesmo com essas dificuldades, muitos ainda veem o nosso país como um lugar para a realização de sonhos e construção de uma nova realidade de vida.

Assolado por desemprego, doenças e epidemias, o país oferece pouquíssimas possibilidades para o desenvolvimento das potencialidades da população mais jovem. A violência no país, consequência desse caótico cenário, acomete os habitantes da ilha de forma bastante contundente: as mulheres e as meninas são vitimas recorrentes de violência sexual. Assim como o Brasil, o Haiti é envolto por uma cultura machista, que torna a violência contra a mulher um pano de fundo para muitas famílias. A prostituição surge como mercado alternativo para algumas mulheres, que fazem programas cobrando valores extremamente baixos, sendo exploradas, muitas vezes, por pessoas envolvidas em causas humanitárias que supostamente estão no país para ajudar.

A situação dos imigrantes haitianos em países como o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, é timidamente melhor. Neste ano, o Museu da Pessoa (museu virtual em que histórias são coletas em imagens e vídeos de forma a inspirar e transformar demais vidas com as experiências relatadas) coletou a história de Katiomise Averna, que hoje está com 22 anos e imigrou inicialmente para Venezuela e posteriormente ao Brasil. Seu relato emociona, pois nos faz perceber em seu olhar e expressões a grande vontade de exercer um direito humano muito simples: o de poder sonhar.

Ainda com todas as dificuldades de alguém que exerce a função de catadora de materiais recicláveis em São Paulo, Kantiomise inspira com seu discurso e postura de menina que viu suas possibilidades florescerem. Ela quer continuar sonhando e também ajudando, e pretende ser médica para, a partir de seus estudos, levar cuidados a pessoas que precisam.

Que o Brasil, Kantimiose, permita que você realize todos os seus sonhos!

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