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Conheça 5 jeitos que meninas encontraram para combater o assédio

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Conheça 5 jeitos que meninas encontraram para combater o assédio

Cantadas não são um elogio, nem são inofensivas. Aqui estão alguns dos jeitos criativos que meninas de todo o mundo encontraram para protestar e combater o assédio em vias públicas.

A imagem apresenta uma rua asfaltada. No chão há frases escritas em inglês, em giz. As frases dizem respeito às falas de assédio feitas nas ruas para as meninas e jovens mulheres. Em protesto, elas se uniram e compartilharam as falas nas ruas onde sofreram os assédios.
Liderado por meninas, o movimento Catcalls of NYC usa arte em giz em locais públicos para aumentar a conscientização sobre assédios baseados em gênero.

1. Giz e indignação

O assédio em vias públicas – chalkbacks, em inglês – é o alvo da iniciativa pública Catcalls of NYC (Cantadas de Nova Iorque, em tradução livre). Liderado por meninas, o movimento usa arte em giz em locais públicos para aumentar a conscientização sobre assédios baseados em gênero.

O movimento começou na cidade de Nova Iorque em março de 2016 e, desde então, inspirou 150 jovens ativistas em todo o mundo a começar seus próprios grupos anti assédio. Histórias de assédio e suas localizações são reunidas por meio de mensagens diretas no Instagram, então é escrito com giz palavra por palavra com a hashtag #PareoAssédioNasRuas – no mesmo local em que o abuso ocorreu.

As imagens dos protestos artísticos são postadas em redes sociais para que todos possam ver. O objetivo é gerar diálogo, criar uma atmosfera de solidariedade e promover mudanças culturais.

Chalkbacks retira o ato de assédio das mãos apenas do assediador – torna o assédio um problema público que a sociedade precisa resolver.

2. Selfies com os assediadores

Noa Jansma, da Holanda, decidiu pedir que assediadores de rua tirassem selfies com ela: “Eles não ficam nem um pouco desconfiados porque eles acham que o que fazem é completamente normal”, diz ela.

No Instagram @DearCatcallers (queridos assediadores, em tradução livre), ela registrou um mês de experiências de assédios públicos – 21 incidentes no total – junto com as falas dos assediadores, ou os sentimentos que ela teve ao ouvir os assédios.

Agora, Noa espera levar a mensagem para todo o mundo ao encorajar outras meninas e mulheres a se juntarem a ela: “Meu mês de posts terminou, mas isso não significa que os assediadores também estão no passado. Obrigada a todos pelo apoio e pelas mensagens. Isso deixou claro que o assédio na rua ainda é algo comum com que muitas de nós ainda temos que lidar”.

3. Petição e campanha

As irmãs Gemma, 14, e Maya, 20, do Reino Unido, donas do perfil Our Streets Now, estão liderando uma campanha para fazer com que o assédio em vias públicas se torne ilegal. Gemma tinha apenas 11 anos quando ela começou a ser assediada na rua por homens adultos.

“A primeira vez que eu realmente lembro aconteceu no meio do dia, e dois homens em uma van branca diminuíram a velocidade e começaram a assobiar. Eles continuaram a dirigir muito próximos a mim e me seguiram por toda a rua. Fiquei tão assustada que corri para a casa da minha amiga porque eu não tinha ideia do que eu devia fazer”.

E as coisas não melhoraram desde então. Uma vez, ao voltar para casa da escola, homens sentados em um café acenavam para ela com comentários obscenos. “Eu me virei e disse ‘Eu tenho 13 anos. Estou usando uniforme escolar – não faça isso’. Um deles me respondeu: ‘idade não importa para mim’. Eu fiquei chocada”.

Neste verão, as meninas começaram uma petição para fazer com que o assédio em vias públicas se torne crime, como é na França, Bélgica, Portugal e Lima, capital do Peru. Atualmente, a petição reúne 168.563 assinaturas.

4. Arte de rua inclusiva

Uma menina posa para foto segurando um pincel. Atrás dela, há uma parede puntada com rostos de mulheres.
Em Masbate, na Filipinas, jovens artistas ocuparam uma das vielas inseguras da cidade e a transformaram em um espaço inclusivo por meio da arte de rua.

Em Masbate, na Filipinas, jovens artistas ocuparam uma das vielas inseguras da cidade e a transformaram em um espaço inclusivo por meio da arte de rua. As meninas, com idade entre 13 e 18 anos, fazem parte do programa Cidades Seguras para Meninas (Safer Cities), da Plan International, que foi lançado recentemente na cidade. Elas criaram sua arte com o tema “ser uma menina campeã”.

“Meninas podem ser heroínas. Nós podemos mudar e salvar o mundo. Somos fortes e poderosas. Não precisamos de um príncipe encantado para nos salvar”, disse uma das meninas envolvidas no projeto.

Projetos de cidades mais seguras estão em desenvolvimento em nove países, fornecendo uma plataforma para meninas discutirem os problemas que enfrentam e opinarem no desenvolvimento de suas cidades.

5. Unindo forças

Nos 16 Dias de Ativismo contra a violência baseada em gênero, meninas dos nossos projetos Cidades Mais Seguras com grupos anti assédio em Kampala, Déli, Cairo e Nairobi uniram forças para realizar uma série de eventos Chalkback. O objetivo foi aumentar a conscientização sobre o assédio em vias públicas.

O público foi convidado a testemunhar as criativas respostas das meninas ao assédio que elas enfrentam em suas cidades, para iniciar um diálogo sobre como todos e todas nós podemos ajudar a acabar com o assédio nas ruas.

#PareoAssédioNasRuas

Todas e todos temos um papel para dar fim ao assédio nas ruas. Não podemos ser meros observadores. Não podemos relativizar o abuso enfrentado por meninas e jovens mulheres em nossas comunidades.

Meninas têm o direito de viver suas vidas em paz, livres de abuso, violência e discriminação. Precisamos apoiar meninas quando elas falam sobre o assédio que sofrem e precisamos responsabilizar os assediadores.

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