17 de setembro de 2026 - Tempo de leitura: 3 minutos
Primeira edição recebeu 319 inscrições e destinou cerca de R$ 350 mil a projetos sociais com foco no fortalecimento da igualdade de gênero
São Paulo, setembro de 2026 – A Plan Brasil, ONG que trabalha para romper ciclos de violências contra meninas, acaba de apresentar os resultados da primeira edição do Fundo de incentivo “Acelere o Relógio da Igualdade”, lançado em outubro de 2024 com objetivo de fomentar iniciativas da sociedade civil que promovam a igualdade de gênero no Brasil.
A edição contou com 319 inscrições e selecionou 26 iniciativas em dez estados brasileiros, com forte representatividade das regiões Norte e Nordeste. Os projetos foram distribuídos em três categorias: 11 iniciativas de Meninas e Jovens Líderes, com apoio de até R$ 5 mil; 10 Coletivos, com até R$ 15 mil; e 5 Organizações, com até R$ 30 mil, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 355 mil.
Mais de 80% das iniciativas tiveram como temas centrais a igualdade de gênero e o empoderamento. Justiça climática, direitos das meninas e inclusão social também ganharam destaque, conectando educação, saúde mental, sustentabilidade, direitos reprodutivos, inclusão de pessoas com deficiência e valorização de comunidades tradicionais. De acordo com Cynthia Betti, CEO da Plan Brasil o fomento desses programas é fundamental para fortalecer iniciativas locais que façam a diferença na vida da população, em especial, das meninas.
“Os resultados desta primeira edição reforçam que meninas, jovens, coletivos e organizações da sociedade civil já têm respostas potentes para os desafios de suas comunidades. O papel do Fundo é contribuir para que essas soluções ganhem escala, estrutura e continuidade, fortalecendo redes que ampliam direitos e abrem caminhos para uma sociedade mais justa e igualitária”, afirma Cynthia.
Os alcances demonstram a diversidade regional e a capacidade de transformação das iniciativas apoiadas. Por exemplo, no Sudeste, em São José dos Campos (SP), o projeto Meninas na Tecnologia envolveu diretamente cerca de 100 jovens em oficinas e alcançou aproximadamente 16 mil pessoas durante o evento Science Days, além de estabelecer uma parceria com o Instituto Alpha Lumen. “Nosso objetivo era levar ciência e tecnologia para as meninas que muitas vezes não teriam acesso a esse tipo de conhecimento”, afirma Camila Fonseca do projeto Meninas na Tecnologia.
No Nordeste, a agenda ambiental também gerou resultados expressivos. O Coletivo RN Lixo Zero, de Natal (RN), impactou direta e indiretamente cerca de 820 pessoas, promoveu formações em empreendedorismo sustentável e justiça climática e ampliou sua participação em espaços estratégicos, incluindo ações relacionadas à COP30. “Recebemos toda a ajuda que precisávamos na implementação do projeto. Nos sentimos à vontade para pedir apoio e fomos prontamente atendidas sempre que tivemos alguma demanda”, afirma Luiza de Sá do Coletivo RN Lixo Zero.
No Norte, no Quilombo do Abacatal (PA), o projeto MãeDalas realizou três ciclos de oficinas sobre educação sexual e direitos das meninas, alcançando diretamente cerca de 60 meninas e mulheres quilombolas e, indiretamente, aproximadamente 300 pessoas da comunidade. “Acreditamos que o projeto conseguiu contribuir para acelerar o relógio da igualdade de gênero”, resume Marluce Araújo do projeto MãeDalas.
Inclusão e representatividade também marcaram a edição. No Sul, o Coletivo Feminista Helen Keller realizou oito formações virtuais acessíveis, com Libras, audiodescrição e materiais adaptados, fortalecendo a participação política de mulheres com deficiência. “O projeto ampliou nossa integração com outros coletivos e movimentos sociais. As formações abriram portas para novas colaborações, convites institucionais e fortaleceram a presença das mulheres com deficiência nos espaços de decisão e incidência política”, reforça Juliana Paiva do Coletivo Feminista Helen Keller.
Esses projetos reforçam que recursos direcionados, acompanhamento e confiança em lideranças locais podem ampliar direitos, fortalecer redes comunitárias e transformar meninas e mulheres em protagonistas de mudanças duradouras.
Sobre o Acelere o Relógio da Igualdade
O Acelere o Relógio da Igualdade é um fundo de incentivo a projetos sociais da Plan Brasil voltado ao fortalecimento de meninas, jovens, coletivos e organizações que atuam pela igualdade de gênero e pela transformação social no Brasil, que foi criado a partir da doação recebida da MacKenzie Scott, filantropa americana, em 2024.
De olho no futuro, a Plan Brasil já prepara os próximos passos do Fundo Acelere o Relógio da Igualdade, uma nova edição será lançada no dia 11 de outubro, que é o Dia Internacional da Menina. Organizações, coletivos e lideranças interessadas em participar devem acompanhar o site oficial da Plan Brasil (www.plan.org.br) para mais informações.