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Morte de meninas indígenas reflete cenário de desigualdade

Plan International Brasil e mais nove organizações se posicionam sobre os assassinatos das meninas Daiane Griá e Raissa Cabreira, ocorridos em agosto de 2021. Confira nota de pesar

Em agosto de 2021, os assassinatos de duas meninas indígenas chocaram pela crueldade e também pela rapidez com que foram esquecidos. Nós da Plan, junto com nove organizações da sociedade civil, lamentamos a morte de Daiane Griá e Raissa Cabreira e de tantas outras meninas que tiveram suas vidas interrompidas. Infelizmente, essas mortes refletem um cenário de desigualdades imposto às meninas indígenas. Dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apontam que, em 2019, povos indígenas do Mato Grosso do Sul têm sido vítimas de ataques violentos, com registro de práticas de tortura, inclusive de crianças. Para impedir que mais mortes como as de Daiane e Raissa aconteçam, toda a sociedade precisa se mobilizar para garantir que crianças indígenas possam viver plenamente. Confira abaixo a nota de pesar:

 

Nota de Pesar

Pelas Vidas de Daiane Griá, Raissa Cabreira e de todas as meninas indígenas

É com muita tristeza que escrevemos esta nota, lamentando profundamente os assassinatos de Daiane Griá Sales e Raissa da Silva Cabreira, meninas cujas vidas e trajetórias foram cruelmente interrompidas. Nós, enquanto organizações comprometidas com a defesa dos direitos de crianças e adolescentes e igualdade para as meninas, nos solidarizamos às vozes das famílias e povos indígenas na busca por justiça, a fim de que meninas indígenas possam viver, se desenvolver e acessar seus direitos.

Daiane Griá Sales, do povo Kaingang, tinha 14 anos quando seu corpo foi encontrado próximo à reserva da Terra Indígena Guarita, no município de Redentora, no Rio Grande do Sul. Raissa da Silva Cabreira, do povo Guarani-Kaiwoá, tinha 11 anos de idade e morava na aldeia Bororó, localizada em Dourados, Mato Grosso do Sul. Com requintes de crueldade, até o momento, os indícios apontam que ambas foram vítimas de abusos sexuais antes de suas mortes.

Suas vidas e seus legados vão muito além das circunstâncias de suas mortes. Não obstante, infelizmente, refletem um cenário de desigualdades imposto às meninas indígenas. Dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apontam que, em 2019, povos indígenas do Mato Grosso do Sul têm sido vítimas de ataques violentos, com registro de práticas de tortura, inclusive de crianças. É com muita tristeza que trazemos, aqui, a memória de Ana Beatriz, do povo Sateré-Mawé, que também fez parte dessas estatísticas: assassinada em 2020, com 5 anos de idade, no estado do Amazonas. Pari passu, o artigo 22, 2, da Declaração Universal dos Povos Indígenas garante que “os Estados adotarão medidas, junto com os povos indígenas, para assegurar que as mulheres e as crianças indígenas desfrutem de proteção e de garantias plenas contra todas as formas de violência e de discriminação”.

Nós compreendemos urgente a necessidade de justiça para os casos de Daiane e Raissa, justiça esta que vai além da punição, justiça esta que se reflete na garantia de direitos para crianças e povos indígenas. Para isso, é necessário um trabalho intersetorial e o fortalecimento de redes de proteção, especialmente do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA).

As vidas de Daiane e Raissa foram únicas e inestimáveis. Para impedir que mais mortes como as delas aconteçam, é fundamental que toda a sociedade se mobilize para garantir que crianças indígenas possam viver, fazendo jus de seus direitos em toda a sua plenitude. Nós nos solidarizamos com as lutas dos povos indígenas na busca por justiça e na quebra do silêncio violento, que reflete o racismo sistêmico contra povos indígenas no Brasil.

 

Quebremos o silêncio.
Pela vida de todas as meninas indígenas.

 

Subscrevem esta Nota as seguintes organizações:

  1. Plan International Brasil
  2. Rede de Juventude Indígena – REJUIND
  3. Girl Up
  4. Campanha Nacional pelo Direito à Educação
  5. Rebecca Souza
  6. Sustenidos Organização Social de Cultura
  7. Instituto Alana
  8. Instituto de Mulheres Negras Luiza Mahin
  9. Girls Rock Camp Brasil
  10. Instituto Esporte Mais