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Por que não perder a esperança apesar das dificuldades: conheça a história de Luana

A história de Luana com a Plan International Brasil é quase tão longa quanto a chegada da própria Organização no país. Com uma vida marcada por diversos obstáculos, incluindo ter perdido sua casa por conta de fortes chuvas na comunidade onde vive, Luana mostra que, apesar das adversidades, não devemos nunca deixar de sonhar

Quando Luana fala sobre sua infância, ela mesma destaca lembranças de quando tinha que passar pelo menos um dia inteiro por semana junto à mãe para buscar água em um povoado próximo. Durante muitos anos não havia nenhum tipo de sistema de abastecimento de água na comunidade quilombola onde ela nasceu. “Era muito difícil pra nós porque o lugar mais perto para buscarmos água ficava a 6 km”, explica Luana.  Entre outras tarefas domésticas, era responsável por ajudar a mãe a lavar a roupa dos seus muitos irmãos. “Mas hoje as crianças daqui não precisam mais fazer isso, graças a Plan”, completa.

Foi exatamente nessa época, em 2004, que a Plan International Brasil chegou à comunidade de Luana. Sua primeira experiência está relacionada a uma brinquedoteca construída pela Organização, onde ela recorda ter passado momentos muito felizes em sua infância. No entanto, esses momentos felizes acabaram sendo abalados quando, há alguns anos, por conta das fortes chuvas que normalmente assolam a região durante uma parte do ano, Luana e sua mãe se viram desabrigadas. A casa onde moravam desabou, destruindo todos os móveis, pertences pessoais e lembranças da infância de Luana. “Essa época foi muito difícil porque nós perdemos tudo. Com ajuda de vizinhos, precisamos construir um abrigo improvisado no quintal de onde ficava nossa casa. Lá moramos durante muitos meses até podermos reconstruir a nossa vida”, conta Luana.

A vida familiar para Luana é muito valiosa: “Eu gosto muito de brincar com meus sobrinhos. Tenho até um quadro no quintal onde tento ensinar um pouco do que aprendo na escola para eles”. Muito aplicada, a jovem estuda em uma escola que trabalha a Pedagogia de Alternância, muito comum em áreas rurais e que visam diminuir a evasão escolar. Os alunos passam 15 dias em regime de internato na escola, de maneira que as horas são divididas entre momentos de sala de aula e outros no campo, aprendendo técnicas de subsistência.

Através da Plan, Luana consegue, ainda, aprimorar o que aprende na escola. Atualmente, faz parte do projeto Novos Quilombos. Neste projeto, 190 famílias de 3 comunidades quilombolas do interior do Maranhão ampliam suas capacidades produtivas e de participação no mercado. Por meio de oficinas práticas, as comunidades implantam a hortifruticultura agroecológica, estratégia do projeto para a geração de renda dessas famílias. Tais práticas acabam por contribuir para a redução da pobreza e da exclusão social dessas comunidades, promovendo o acesso a direitos sociais básicos e o empoderamento econômico das famílias. Na casa de Luana e sua família, a jovem é responsável pela horta que apresenta com orgulho e onde planta tomate, acerola e algumas outras frutas regionais.

Outro ponto de sua história que conta envaidecida é sua experiência na Nicarágua, onde, através da Plan International, participou de um congresso sobre comunidades quilombolas nas Américas. “Foi uma experiência muito interessante e onde eu pude conhecer e conversar com pessoas de vários lugares com histórias parecidas com a minha”.

Apesar de muito nova, Luana já viu e viveu muita coisa, exatamente por isso sonha grande. Pretende sair de sua comunidade por um tempo para morar em um lugar que a permita fazer Jornalismo. A escolha lhe parece muito natural: “Eu sou muito curiosa, gosto de perguntar, ficar informada”, confessa. Outro motivo que a fez escolher essa profissão, foi poder contar ao mundo sobre como é a vida na comunidade onde nasceu. “Já está tudo organizado. Na primeira metade do próximo ano me mudo para estudar Jornalismo”, garante Luana com um sorriso no rosto.