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Thelminha é a nova embaixadora da Plan International Brasil

Tempo de leitura: 4 minutos

Mulher, negra, médica, apresentadora e feminista, campeã do BBB 20 tem uma trajetória de luta e vitória para inspirar meninas, adolescentes e jovens

A médica e apresentadora Thelma Assis, a Thelminha, entrou para o time de embaixadoras da Plan. Sua trajetória de luta e vitória é uma inspiração para meninas, adolescentes e jovens. Em agosto, Thelminha participou de um encontro em Manaus (AM) para discutir pobreza menstrual e saúde feminina com meninas de 13 a 16 anos, promovido pela Cimed em parceria com a Plan e o Grupo Dadivar, como parte da campanha #EuSouMinhasEscolhas.

“Sabemos que a luta pela igualdade é um trabalho gradativo e que está longe de acabar. Infelizmente, ainda vemos a injustiça e a falta de oportunidades sendo estampadas diariamente nos noticiários”, afirma Thelminha. “É uma grande honra e responsabilidade chegar ao time de embaixadoras da Plan, que exerce um papel tão importante no amparo e acolhimento de crianças e adolescentes. Sempre defendi o uso da visibilidade em prol de um bem maior, e espero poder utilizar a minha influência para contribuir, de alguma forma, para essa causa.”

“A Thelminha é uma inspiração não só para as meninas, mas também para nossas comunidades. Estamos felizes com sua chegada para o nosso time de embaixadoras, que agora ganha ainda mais representatividade. As embaixadoras e nosso embaixador ajudam a levar a voz de crianças e adolescentes, especialmente das meninas, a um grupo maior de pessoas, que passam a conhecer nossa causa”, afirma Cynthia Betti, diretora executiva da Plan International Brasil.

Thelminha ficou conhecida nacionalmente após participar da 20ª edição do programa Big Brother Brasil e foi a vencedora, levando o prêmio de R$ 1,5 milhão. Durante os três meses de confinamento, ela mirou atitudes racistas e lutas feministas, conquistando apoios de peso, como de Elza Soares e Anitta.

Mas este épico episódio na vida dela é só mais um em uma sequência de outros, sendo o primeiro deles aos 3 dias de vida, quando foi adotada por Yara e Carlos Alberto, casal de origem humilde da Zona Norte da cidade de São Paulo. Mais tarde, aos 14 anos, ainda sem conhecer a própria origem, uma nova prova: ela descobriu sua história por meio de uma ligação anônima, mas superou o desafio com coragem, usando o fato para o autoconhecimento. “Foi bem marcante para mim esse telefonema, mas foi mais uma página que eu virei numa boa. Eu entendi que o que mais importa na vida de uma criança é o carinho, o amor e a formação do caráter da pessoa”, disse em entrevista.

Mais tarde, Thelminha cursou medicina na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), mas para chegar até lá, buscou bolsa de 100% via ProUni e almoçava no restaurante Bom Prato por R$ 1 para tentar garantir livros e instrumentos. “Eu tinha capacidade, mas, sem oportunidade, meu caminho teria sido bem mais difícil. As coisas são complicadas quando se é mulher preta e de classe social desfavorecida. Dar direito à educação significa garantir mudanças para toda uma geração: eu tive bolsa e, por isso, vou mudar as gerações dos meus filhos e netos.”

Autodeclarada uma “médica aparecida”, Thelminha se inscreveu para o BBB. Após vencê-lo, lançou a autobiografia “Querer, Poder, Vencer” pela editora Planeta, com prefácio da atriz Taís Araújo, uma de suas torcedoras mais apaixonadas, cuja postagem nas redes sociais conquistou até mesmo o compartilhamento da superpremiada atriz norte-americana Viola Davis. “Quando a dra. Thelminha ganha o BBB, milhares de mulheres ganham com ela”, postou Tais.

Com a fama conquistada e ativista da cabeça aos pés – mulher, negra, médica e feminista –, Thelminha assumiu a responsabilidade de se tornar porta-voz de causas como racismo, machismo, feminismo e educação, que evidenciaram o quanto as pessoas carecem de representatividade. Até quando se diverte, ela busca levar uma mensagem útil para as pessoas. Formou-se bailarina após 15 anos de ensaios com bolsa de estudos, desfila pela Mocidade Alegre, em São Paulo há quase 18 anos e em 2022 fez sua estreia na Sapucaí, no Rio de Janeiro. Gosta do samba pela essência inclusiva e não elitista. Não por acaso, criou o ‘Sambadela’, evento que partiu do desejo de Thelminha de celebrar o samba e dar protagonismo para a comunidade preta.

Participou do Circuito Urbano, evento anual idealizado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Thelminha debateu sustentabilidade, cidadania e meio ambiente no painel “Mudanças climáticas e saúde: experiências e desafios”. “É urgente o compromisso com o povo, que ainda carece de acessos sustentáveis, água potável e saneamento básico”, reivindicou na ocasião.

Após sofrer uma ofensa nas redes sociais, negociou que a retratação fosse convertida em cestas básicas para a ONG Criola, que atua na defesa e promoção dos direitos das mulheres negras. “Fui criada para viver em uma sociedade estruturalmente racista, com minha mãe dizendo que eu tinha que ser a melhor em tudo. Sempre precisei provar minha capacidade, e foi minha determinação que fez com que eu me formasse em medicina. Eu era a única negra em uma turma de 100 alunos e fui a única durante meus 15 anos de balé clássico. Em meu discurso de entrada no BBB, eu disse que estava na hora de um negro ganhar. Não entrei para levantar bandeiras, mas essas causas fazem parte da minha vida”, afirmou.

Thelminha não abandou sua paixão pela medicina e se tornou médica parceira fixa da TV Globo, levando conteúdo de saúde exclusivo dentro do Bem Estar no programa É de Casa e esporadicamente no Encontro. Para cada vez mais trabalhar pautas de cuidados e bem-estar das famílias brasileiras, está cursando uma pós-graduação em Medicina da Família no Centro de Educação em Saúde Abram Szajman, braço do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo.

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