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Como o futebol feminino pode empoderar as meninas

Depois de começar a participar dos projetos da Plan International Brasil, Sara tem descoberto novas potencialidades e novos caminhos.

Aos 16 anos, Sara divide o seu tempo entre os estudos, as artes, o futebol, a atuação na locução em uma rádio no seu município, o ministério de louvor e também como líder do ministério infantil na congregação da qual faz parte. A sua rotina mudou radicalmente desde que passou a participar dos projetos da Plan International Brasil. Sara, que era muito tímida, passou a estar no grupo de teatro e oficinas socioeducativas do Projeto “Adolescentes Multiplicando com Arte”, há dois anos, e foi selecionada, em seguida, para o Projeto Futebol Feminino, desenvolvido pela organização em oito comunidades dos municípios de São Luís, São José de Ribamar e Paço do Lumiar. “A Plan veio pra fazer uma mudança radical na minha vida”, declara a jovem.

Sua mãe, Maria, de 52 anos, descreve Sara como uma menina tímida calada, mas que, desde que passou a participar dos projetos que a Plan International Brasil desenvolve em sua região, não é mais a mesma. Continua tímida, mas não calada! Fala, e fala muito! Tem prazer em conversar com as pessoas, falar sobre seus planos e as coisas que aconteceram em sua vida nos últimos dois anos. É visível o progresso de Sara, que tem como hobby a leitura. “Ela sempre foi muito tranquila e carismática. Respeita todo mundo e é estudiosa. Certa vez um professor me abordou e disse pra mim que a Sara não é deste mundo”, conta a mãe, orgulhosa com o desenvolvimento da adolescente.

Sara só não tinha muito jeito com a bola, e por isso teve receio de entrar para o Projeto Futebol Feminino. Contou com o incentivo da mãe e hoje está feliz com as coisas novas que tem aprendido por meio do projeto, que não trata apenas das questões práticas do futebol, como treinos e torneios, mas também desenvolve semanalmente oficinas socioeducativas, com profissionais especializados, que planejam e ministram palestras com temas que envolvem os direitos das crianças e adolescentes, gênero, cidadania, etnia, saúde sexual e reprodutiva, entre outros. “Eu não sabia jogar nada, mas já tive algum progresso. Até meu irmão que me criticava, dizendo que bola não é coisa pra menina, agora me chama e me ensina a jogar”, declara, comentando ainda que hoje em dia tem condições de conversar e debater sobre Gênero, Cidadania, DSTs e Aids, Aborto, Violência Doméstica, Saúde, Nutrição, e outros temas, dos quais não tinha quase nenhum conhecimento antes de participar dos projetos da Plan.

A adolescente conta que sempre sonhou em ter um bom trabalho e uma casa grande pra morar e acolher pessoas sem lar. “Sempre me doeu olhar pessoas dormindo na rua e sem ter o que comer. Pensava em quantas coisas eu poderia fazer por elas quando eu estivesse trabalhando. Meu sonho é ter uma casa bem grande pra colocar essas pessoas e também buscar recursos pra capacitá-las e treiná-las pra trabalhar em comércio e outros locais. Na realidade, eu quero ter condições de eu mesma construir comércios e lojas ao redor dessa casa grande, onde essas pessoas possam trabalhar”, discorre a menina. Diz ainda que, depois de conhecer a Plan, seus sonhos ampliaram. “Quando me formar em administração e estiver trabalhando, também quero poder investir em projetos de organizações sérias como a Plan, que ajudam muitas famílias e comunidades”, assinala.

Para conseguir fazer todas as coisas que gosta e conquistou nos dois últimos anos, Sarah planeja bem o seu tempo e é muito aplicada. Faz ensino médio na parte da tarde e pela manhã, além de ajudar a mãe nos afazeres domésticos, fazer os deveres da escola, estudar, ler, treinar violão, planejar as aulas de teatro, dança e de ensino das crianças de sua congregação, e ainda encontra tempo pra brincar e se divertir.

São muitas mudanças em pouco tempo, das quais Sara se orgulha e tem muito a agradecer.